O Nascimento do Francisco
03 de Maio de 2006
O nosso Francisco é o nosso 3º menino lindo, e à terceira foi bem mais humanizado o seu nascimento...
O início foi um pouco confuso, pois para além de ter tido contracções desde o 7º mês de gravidez, há uma semana do nascimento do Francisco, passei uma noite com muitas contracções intensas e irregulares, que pareciam querer desencadear o parto, mas afinal, foi um aviso da aproximação do grande acontecimento.
No dia 3 de Maio (exactamente com 38 semanas de gravidez) pelas 2:30 h, acordaram-me umas contracções estranhas, dolorosas, mas muito irregulares... Fiquei atenta, mas o sono voltou e deixei-me dormir. Pouco depois, mais algumas e levantei-me um pouco; fiz um chá muito açucarado (na noite anterior já não tinha tido vontade de comer). Fui para a sala e pus música. Mas pouco depois desliguei-a, porque me estava a incomodar mais do que relaxar. Tudo parecia ter abrandado e voltei para a cama. Fui dormitando e pelas 5:30 h algumas contracções eram bem evidentes e achei melhor ir à Maternidade Alfredo da Costa (MAC). A minha médica estava de serviço até às 9:00 h da manhã e eu queria falar com ela, bem como me safar ao trânsito infernal que separa Carcavelos de Lisboa. Liguei ao meu pai, para ficar com os miúdos. Pelas 6:00 h despedi-me dos meninos, que dormiam o sono dos justos e lá fomos nós.
Embora sendo o 3º filho, estava na dúvida se estaria em verdadeiro trabalho de parto (TP), já que a cadência das contracções continuava bem estranha.
Chegámos em 15 minutos à MAC e como não conseguia falar com a minha médica, resolvi esperar cá fora um pouco mais para ver o que se passava. Tudo se mantinha igual, até que às 7:45 h resolvi entrar.
Quando me observaram, a médica disse-me: "-Que estranho: a cabeça está mesmo aqui (em baixo) e tem 4 dedos de dilatação, mas não esperava encontrá-la tão tranquila!". Perguntei pela minha médica e foram chamá-la. Ela confirmou o estado do TP e lá fui eu para a triagem, responder ao inquérito do internamento (uf!! Que seca...). A enfermeira estava mal disposta, a fazer comentários que não me diziam respeito, nem deveria estar a ouvi-los. No fim, digo-lhe que tenho um plano de parto no livrinho da grávida que estava com ela (outra cópia já tinha sido entregue à administração da MAC). Ela riu-se e como eu não percebi a sua motivação, disse-lhe:"Vale sempre a pena tentar!". Ela disse que alguns procedimentos seriam possíveis, outros não, ao qual lhe respondi:"-água mole em pedra dura..."
Passei à tricotomia, com uma enfermeira amável e carinhosa, que quando me viu com uma contracção mais forte, parou o que estava a fazer e me disse para eu estar tranquila e levar o tempo que precisasse, pois não havia pressa...As contracções iam-se intensificando e quando vinham, punha-me de cócoras e visualizava uma onda a passar por cima (tinha lido esta descrição em alguma paciente do Dr. Ricardo Jones e a imagem era muito eficaz...). Estou nesta posição, quando a mesma enfermeira volta para ver se eu estava bem e dizer-me que estavam a tratar de tudo e em princípio seria possível realizar os meus desejos (descritos no plano de parto), e eis que me pergunta se quero tomar um banho!!!! De tudo o que eu gostava, era a única coisa que eu pensava ser impossível de todo.
DIVINAL!! é a única coisa que posso dizer. Eu não o tomei em casa, porque sabia que corria o risco de não querer sair da banheira ou de acontecer algo como à minha amiga Sandra (o bebé nascer no carro), e ali estava eu a massajar a barriga com a água morna e a dor aguda sob a bexiga a dissipar-se e a diluir-se.
Bom... Lá tive que sair do banho e fui para a sala da roda de partos.
Puseram-me o C.T.G. perguntando se queria ficar de pé, mas eu preferi sentar-me... Nesta altura, um dos meus anjos da guarda "trouxe-me" a parteira Felicidade Carvalheiro que foi uma ajuda fabulosa, muito humana, sensível e atenciosa, muito além do seu profissionalismo!!
As contracções foram-se intensificando, mas bem suportáveis. A parteira Felicidade ia entrando e saindo, falando sempre comigo com muita amabilidade.
Quando a equipa médica fez a avaliação da situação, tinha 7 cm de dilatação. Estava na roda de partos... Romperam-me a bolsa. Nesta altura, já me sentia meio "fora" do planeta e começava a incomodar-me ter que responder a fosse o que fosse e embora ouvindo o que se passava, ia-me abstraindo da realidade e fixando nas contracções e nos intervalos entre as mesmas. A parteira Felicidade disse que quando tivesse vontade de fazer força lhe dissesse, o que aconteceu pouco depois (perdi a noção do tempo). A roda permitiu que eu balançasse como entendia, inclinar-me para a frente, e estar quase sentada, o que era bem mais confortável do que estar deitada!!! A expulsão custou-me um pouco, acho que fique baralhada porque a parteira tentou chamar a minha médica para assistir ao meu parto e gerou-se alguma entropia. Esta fase aconteceu muito rapidamente e a parteira ia descrevendo o que se estava a passar, ajudando a que eu continuasse concentrada, ajudando o bebé a nascer. Houve um momento em que parecia que eu não estava a conseguir fazer bem a força, porque uma contracção super violenta me desorientou mas a parteira ajudou-me a manter o controlo e mais duas "puxadas" e o Francisquinho nascia, com uma volta do cordão no pescoço, mas de olho bem aberto!!! Eu só o queria puxar para mim, e nem deixava a parteira massajar o bebé, tal era a euforia!!! Uns segundos depois, e a parteira pôs o meu bebé no meu regaço e pude falar-lhe a admirá-lo com tanta alegria!!! Cortei eu o seu (nosso) cordão umbilical e falei-lhe ternamente sem parar!!
Pouco depois levaram-no, e "nasceu" também a placenta: redondinha, escura e pesada. A parteira Felicidade mostrou-ma e vimos o "suporte" que alimentou e oxigenou o meu filho durante quase 9 meses.
Entretanto, chegou a minha médica para ver como é que eu estava, e não queria acreditar que o Francisco já tinha nascido! Eram 10:20 h!
Deu-me muitos beijinhos!!! Eu estava tão feliz porque tudo tinha sido tão intenso, mas tão bom!! O meu menino era lindo e estava bem e eu sentia-me maravilhosamente bem também!
Alguns pontitos (sem episiotomia) dados rapidamente, e só nesta altura se acenderam mais luzes. A parteira Felicidade ia dizendo o que fazia e estava também muito contente com o parto.
Fui para o recobro, vi o meu menino e chamaram o meu marido. Estávamos muito felizes e eu estava delirante.
Um pouco mais tarde, a parteira levou-me de novo o Francisco para o poder amamentar (outro dos pedidos do meu plano de parto). Mostrou-o à família (no "Espaço bebé") e tirou umas fotografias com ele, numa reportagem sobre o dia Internacional da Parteira (engraçada a coincidência!!).
Foi um parto muito bom, onde várias pessoas se esforçaram e tiveram um papel fundamental para permitir um parto humanizado, sem muitas interferências e com muita alegria.
Obrigada Pedro, pelo tempo que esperaste tranquilamente comigo antes da minha entrada na maternidade.
Obrigada Francisco, pelo bebé fantástico que foste para a tua mamã!!
Marta Cruz
Carcavelos - Oeiras - Portugal
03 de Maio de 2006
O nosso Francisco é o nosso 3º menino lindo, e à terceira foi bem mais humanizado o seu nascimento...
O início foi um pouco confuso, pois para além de ter tido contracções desde o 7º mês de gravidez, há uma semana do nascimento do Francisco, passei uma noite com muitas contracções intensas e irregulares, que pareciam querer desencadear o parto, mas afinal, foi um aviso da aproximação do grande acontecimento.
No dia 3 de Maio (exactamente com 38 semanas de gravidez) pelas 2:30 h, acordaram-me umas contracções estranhas, dolorosas, mas muito irregulares... Fiquei atenta, mas o sono voltou e deixei-me dormir. Pouco depois, mais algumas e levantei-me um pouco; fiz um chá muito açucarado (na noite anterior já não tinha tido vontade de comer). Fui para a sala e pus música. Mas pouco depois desliguei-a, porque me estava a incomodar mais do que relaxar. Tudo parecia ter abrandado e voltei para a cama. Fui dormitando e pelas 5:30 h algumas contracções eram bem evidentes e achei melhor ir à Maternidade Alfredo da Costa (MAC). A minha médica estava de serviço até às 9:00 h da manhã e eu queria falar com ela, bem como me safar ao trânsito infernal que separa Carcavelos de Lisboa. Liguei ao meu pai, para ficar com os miúdos. Pelas 6:00 h despedi-me dos meninos, que dormiam o sono dos justos e lá fomos nós.
Embora sendo o 3º filho, estava na dúvida se estaria em verdadeiro trabalho de parto (TP), já que a cadência das contracções continuava bem estranha.
Chegámos em 15 minutos à MAC e como não conseguia falar com a minha médica, resolvi esperar cá fora um pouco mais para ver o que se passava. Tudo se mantinha igual, até que às 7:45 h resolvi entrar.
Quando me observaram, a médica disse-me: "-Que estranho: a cabeça está mesmo aqui (em baixo) e tem 4 dedos de dilatação, mas não esperava encontrá-la tão tranquila!". Perguntei pela minha médica e foram chamá-la. Ela confirmou o estado do TP e lá fui eu para a triagem, responder ao inquérito do internamento (uf!! Que seca...). A enfermeira estava mal disposta, a fazer comentários que não me diziam respeito, nem deveria estar a ouvi-los. No fim, digo-lhe que tenho um plano de parto no livrinho da grávida que estava com ela (outra cópia já tinha sido entregue à administração da MAC). Ela riu-se e como eu não percebi a sua motivação, disse-lhe:"Vale sempre a pena tentar!". Ela disse que alguns procedimentos seriam possíveis, outros não, ao qual lhe respondi:"-água mole em pedra dura..."
Passei à tricotomia, com uma enfermeira amável e carinhosa, que quando me viu com uma contracção mais forte, parou o que estava a fazer e me disse para eu estar tranquila e levar o tempo que precisasse, pois não havia pressa...As contracções iam-se intensificando e quando vinham, punha-me de cócoras e visualizava uma onda a passar por cima (tinha lido esta descrição em alguma paciente do Dr. Ricardo Jones e a imagem era muito eficaz...). Estou nesta posição, quando a mesma enfermeira volta para ver se eu estava bem e dizer-me que estavam a tratar de tudo e em princípio seria possível realizar os meus desejos (descritos no plano de parto), e eis que me pergunta se quero tomar um banho!!!! De tudo o que eu gostava, era a única coisa que eu pensava ser impossível de todo.
DIVINAL!! é a única coisa que posso dizer. Eu não o tomei em casa, porque sabia que corria o risco de não querer sair da banheira ou de acontecer algo como à minha amiga Sandra (o bebé nascer no carro), e ali estava eu a massajar a barriga com a água morna e a dor aguda sob a bexiga a dissipar-se e a diluir-se.
Bom... Lá tive que sair do banho e fui para a sala da roda de partos.
Puseram-me o C.T.G. perguntando se queria ficar de pé, mas eu preferi sentar-me... Nesta altura, um dos meus anjos da guarda "trouxe-me" a parteira Felicidade Carvalheiro que foi uma ajuda fabulosa, muito humana, sensível e atenciosa, muito além do seu profissionalismo!!
As contracções foram-se intensificando, mas bem suportáveis. A parteira Felicidade ia entrando e saindo, falando sempre comigo com muita amabilidade.
Quando a equipa médica fez a avaliação da situação, tinha 7 cm de dilatação. Estava na roda de partos... Romperam-me a bolsa. Nesta altura, já me sentia meio "fora" do planeta e começava a incomodar-me ter que responder a fosse o que fosse e embora ouvindo o que se passava, ia-me abstraindo da realidade e fixando nas contracções e nos intervalos entre as mesmas. A parteira Felicidade disse que quando tivesse vontade de fazer força lhe dissesse, o que aconteceu pouco depois (perdi a noção do tempo). A roda permitiu que eu balançasse como entendia, inclinar-me para a frente, e estar quase sentada, o que era bem mais confortável do que estar deitada!!! A expulsão custou-me um pouco, acho que fique baralhada porque a parteira tentou chamar a minha médica para assistir ao meu parto e gerou-se alguma entropia. Esta fase aconteceu muito rapidamente e a parteira ia descrevendo o que se estava a passar, ajudando a que eu continuasse concentrada, ajudando o bebé a nascer. Houve um momento em que parecia que eu não estava a conseguir fazer bem a força, porque uma contracção super violenta me desorientou mas a parteira ajudou-me a manter o controlo e mais duas "puxadas" e o Francisquinho nascia, com uma volta do cordão no pescoço, mas de olho bem aberto!!! Eu só o queria puxar para mim, e nem deixava a parteira massajar o bebé, tal era a euforia!!! Uns segundos depois, e a parteira pôs o meu bebé no meu regaço e pude falar-lhe a admirá-lo com tanta alegria!!! Cortei eu o seu (nosso) cordão umbilical e falei-lhe ternamente sem parar!!
Pouco depois levaram-no, e "nasceu" também a placenta: redondinha, escura e pesada. A parteira Felicidade mostrou-ma e vimos o "suporte" que alimentou e oxigenou o meu filho durante quase 9 meses.
Entretanto, chegou a minha médica para ver como é que eu estava, e não queria acreditar que o Francisco já tinha nascido! Eram 10:20 h!
Deu-me muitos beijinhos!!! Eu estava tão feliz porque tudo tinha sido tão intenso, mas tão bom!! O meu menino era lindo e estava bem e eu sentia-me maravilhosamente bem também!
Alguns pontitos (sem episiotomia) dados rapidamente, e só nesta altura se acenderam mais luzes. A parteira Felicidade ia dizendo o que fazia e estava também muito contente com o parto.
Fui para o recobro, vi o meu menino e chamaram o meu marido. Estávamos muito felizes e eu estava delirante.
Um pouco mais tarde, a parteira levou-me de novo o Francisco para o poder amamentar (outro dos pedidos do meu plano de parto). Mostrou-o à família (no "Espaço bebé") e tirou umas fotografias com ele, numa reportagem sobre o dia Internacional da Parteira (engraçada a coincidência!!).
Foi um parto muito bom, onde várias pessoas se esforçaram e tiveram um papel fundamental para permitir um parto humanizado, sem muitas interferências e com muita alegria.
Obrigada Pedro, pelo tempo que esperaste tranquilamente comigo antes da minha entrada na maternidade.
Obrigada Francisco, pelo bebé fantástico que foste para a tua mamã!!
Marta Cruz
Carcavelos - Oeiras - Portugal
