O Nascimento do Elias
05 de Outubro de 2006
Engravidei sem estar à espera! Os primeiros meses de gravidez foram um misto de medo e felicidade extrema. Sentia que tinha pouco tempo para me preparar para esta viagem maravilhosa, e no entanto mais tarde percebi que ser Mulher é estar preparada para parir, para ser Mãe. Que se deixarmos o nosso corpo trabalhar o nosso instinto e a nossa intuição nos guiarão por todo o processo.
Comecei a investigar e a questionar-me se teria de passar por todos os procedimentos característicos da medicina tradicional em Portugal (já não ia a uma médico alopata há anos). Os primeiros contactos com o obstetra do meu centro de saúde deixaram logo muito apreensiva. Não queria nada daquilo para mim, nem para esta gravidez! Acreditava que devia de ter uma gravidez descansada e não andar à procura de anomalias no meu corpo que eu sentia perfeitamente saudável! Deixei de ir justamente ao centro de saúde por me pressionarem de forma muito desagradável para levar a vacina do tétano, sem saberem ao menos dar-me uma justificação plausível, com toda a prepotência tantas vezes característica dos nossos técnicos de saúde.
Felizmente com 3 meses de gravidez decidi fazer a formação para Doula, e isso veio dar um rumo completamente diferente à minha gravidez. Passei a estar mais tranquila e mais segura.
Aos 6 meses de gravidez comecei a preparar-me para o parto. Contactei a parteira, a doula e comecei a ser acompanhada por elas. Em simultâneo ia fazendo Yoga e meditação (muitos dos exercícios inspirados no livro Parto Activo da Janet Balaskas).
Dia 3 de Outubro, já na 41º semana, comecei a ter contracções, fracas mas regulares, de 15 em 15 minutos. Passei assim todo o dia a adivinhar o parto para o dia seguinte e a fazer os últimos preparativos em casa e na minha mente. No dia seguinte acordei com contracções já uma pouco mais intensas, Às 6 da manhã eu e o meu marido fomos comer torradas e chá para a nossa varandinha, já com um sorrisinho cúmplice de quem sabia que estava muito próxima a nossa hora de conhecer o nosso anjo. Eram 10 horas quando a parteira me ligou a perguntar como tinha sido a minha noite, ao descrever-lhe as minhas contracções achou melhor pôr-se a caminho, no entanto como me estava a sentir bem, pedi-lhe que viesse apenas depois de almoço, no entanto já nessa altura achei melhor avisar a minha querida Ana Raposeira. Passados mais uns telefonemas, as duas decidiram vir, até essa altura eu estava ainda bastante consciente e bem disposta (escrever sobre isto agora ainda me dá um arrepio de excitação), passado pouco tempo comecei a sentir uma força avassaladora que me tirou do chão. Tenho vagas lembranças...lembro-me da Ana e do Hugo dançarem comigo e fazerem-me massagens, lembro-me dos olhos deles, atentos cheios de carinho e admiração, e lembro-me de haver uma altura qualquer em que a D. Gloria me fez o toque e que disse que ainda estava com 4 cm de dilatação (fiquei muito frustrada, pois parecia-me que tinha atingido o auge da intensidade), e depois num ápice que me pareceram minutos, mas foram horas a dilatação estava completa. Foi muito belo e intenso, atrevo-me a dizer orgástico!
A parte dura estava para vir!
Agora no período de transição as contracções começaram a ser fracas, mas a dor a incidir nos rins! Eu que já estava cansada comecei a ir-me a baixo e entrei num processo doloroso de cansaço e duvida. A parteira dizia que havia uma incompatibilidade entre a minha pelve e o bebe e eu ficava cada vez mais assustada! Para ela a minha púbis tinha uma deficiência e não iria dar de si, e por isso devíamos de esperar! Era já de noite! Eu resignei-me, deitei-me e esperei... esperei até ao dia seguinte, já frustrada e desesperada, com muito medo de não ser capaz de pôr o meu filho no mundo! Foram horas (precisamente 20horas, disse-me a Ana no final) de desespero e dúvida, mas sem nunca colocar a hipótese de ir para o hospital... a esta altura a bolsa de aguas ainda estava intacta e o Elias como um grande guerreio muito bem de saúde!
Foi quando senti o sol mais alto que renovadas forças despontaram dentro de mim! Alguém abriu o estore e eu de repente cansei-me de esperar! Percebi que o meu corpo tinha bloqueado e que ou eu provocava contracções mais fortes ou não íamos sair dali tão cedo!! Foi ai que pela primeira vez vislumbrei a hipótese de ir para o hospital! Decidi que não iria!!
Lembrei-me do que é ser mulher, lembrei-me das forças instintivas que se tinham apoderado de mim durante a dilatação, lembrei-me da Mãe divina o espírito deste nosso planeta que nos alimenta a todos e guarda os segredos do nascimento e da morte!
Pedi um sumo de frutas, tranquei-me no quarto do Elias com o meu companheiro, beijamo-nos, acariciamo-nos e depois pedi-lhe que me deixasse só! Comecei então a falar com o meu corpo, a tocar os meus seios e o ventre, sempre a falar com Elias e a respirar profundamente!! E foi ai que finalmente senti as contracções a voltarem com força! Como já estava muito cansada nenhuma posição me permitia já fazer força por mim própria, experimentei quase todas!! Já estávamos no dia 5 e o sol já estava no seu auge!
Então lembrei-me da sanita e apartar dai, foram 3 contracções! O Elias nasceu comigo de pé agarrada ao lavatório (isto para ele não cair na sanita), só deu tempo de a Ana gritar pela D.Gloria e esta correr para o apanhar!!! A bolsa de aguas explodiu no ar e o que eu ouvi (porque estava tudo escuro) foi um grande "ploc", que nunca vou esquecer na vida! O meu filho chorava assustado, e esta todo branquinho lindo, lindo!!!! Eram 17 horas.
Eu nem vi como ficou o chão da casa de banho (porque não havia luz nenhuma), durante todo o parto não vi sangue nem líquidos....só algum coco que soltei durante algumas tentativas frustradas de fazer força sem vontade :)))!!!
O Hugo entrou logo a seguir na casa de banho onde ficamos por momentos os 3 agarrados a chorar!
Depois levaram-nos para a cama e ai o Elias veio para cima de mim, onde chorava e procurava o peito ao mesmo tempo (ainda hoje mama com a mesma vontade)!
Tive de ser cozida porque segundo a D. Gloria, ao expulsar o Elias ela teve de colocar a mão para o ajudar a rodar o ombro, eu nem entendo como ela fez isso , porque alem de estar completamente escuro a mim pareceram-me segundos! Não me lembro de quantos pontos foram...sei que ela retirou a placenta manualmente (coisa a reparar num próximo parto) e que de seguida quando as duas se foram ficamos os 3 juntinhos, sem visitas, sem ser incomodados!!!
Só no dia seguinte as avos vieram visitar-nos! E eu demorei uns 15 dias ainda a sair para a rua!
Eu e o Elias ficamos literalmente 15 dias de cama... hoje quando olho para trás dou muitas graças por essa oportunidade, porque era maravilhoso dar-lhe de mamar, dormir e contempla-lo! Claro que o meu companheiro foi incrível nestes tempo, desdobrando-se para que tudo estivesse perfeito para os seus dois amores!
Estou muito grata, muito mesmo aos três, Hugo, Ana e D. Glória e muito orgulhoso de mim e principalmente do meu anjinho Elias!
Ana Alpande
07 Fevereiro de 2007 - Porto Salvo, Oeiras - Portugal
05 de Outubro de 2006
Engravidei sem estar à espera! Os primeiros meses de gravidez foram um misto de medo e felicidade extrema. Sentia que tinha pouco tempo para me preparar para esta viagem maravilhosa, e no entanto mais tarde percebi que ser Mulher é estar preparada para parir, para ser Mãe. Que se deixarmos o nosso corpo trabalhar o nosso instinto e a nossa intuição nos guiarão por todo o processo.
Comecei a investigar e a questionar-me se teria de passar por todos os procedimentos característicos da medicina tradicional em Portugal (já não ia a uma médico alopata há anos). Os primeiros contactos com o obstetra do meu centro de saúde deixaram logo muito apreensiva. Não queria nada daquilo para mim, nem para esta gravidez! Acreditava que devia de ter uma gravidez descansada e não andar à procura de anomalias no meu corpo que eu sentia perfeitamente saudável! Deixei de ir justamente ao centro de saúde por me pressionarem de forma muito desagradável para levar a vacina do tétano, sem saberem ao menos dar-me uma justificação plausível, com toda a prepotência tantas vezes característica dos nossos técnicos de saúde.
Felizmente com 3 meses de gravidez decidi fazer a formação para Doula, e isso veio dar um rumo completamente diferente à minha gravidez. Passei a estar mais tranquila e mais segura.
Aos 6 meses de gravidez comecei a preparar-me para o parto. Contactei a parteira, a doula e comecei a ser acompanhada por elas. Em simultâneo ia fazendo Yoga e meditação (muitos dos exercícios inspirados no livro Parto Activo da Janet Balaskas).
Dia 3 de Outubro, já na 41º semana, comecei a ter contracções, fracas mas regulares, de 15 em 15 minutos. Passei assim todo o dia a adivinhar o parto para o dia seguinte e a fazer os últimos preparativos em casa e na minha mente. No dia seguinte acordei com contracções já uma pouco mais intensas, Às 6 da manhã eu e o meu marido fomos comer torradas e chá para a nossa varandinha, já com um sorrisinho cúmplice de quem sabia que estava muito próxima a nossa hora de conhecer o nosso anjo. Eram 10 horas quando a parteira me ligou a perguntar como tinha sido a minha noite, ao descrever-lhe as minhas contracções achou melhor pôr-se a caminho, no entanto como me estava a sentir bem, pedi-lhe que viesse apenas depois de almoço, no entanto já nessa altura achei melhor avisar a minha querida Ana Raposeira. Passados mais uns telefonemas, as duas decidiram vir, até essa altura eu estava ainda bastante consciente e bem disposta (escrever sobre isto agora ainda me dá um arrepio de excitação), passado pouco tempo comecei a sentir uma força avassaladora que me tirou do chão. Tenho vagas lembranças...lembro-me da Ana e do Hugo dançarem comigo e fazerem-me massagens, lembro-me dos olhos deles, atentos cheios de carinho e admiração, e lembro-me de haver uma altura qualquer em que a D. Gloria me fez o toque e que disse que ainda estava com 4 cm de dilatação (fiquei muito frustrada, pois parecia-me que tinha atingido o auge da intensidade), e depois num ápice que me pareceram minutos, mas foram horas a dilatação estava completa. Foi muito belo e intenso, atrevo-me a dizer orgástico!
A parte dura estava para vir!
Agora no período de transição as contracções começaram a ser fracas, mas a dor a incidir nos rins! Eu que já estava cansada comecei a ir-me a baixo e entrei num processo doloroso de cansaço e duvida. A parteira dizia que havia uma incompatibilidade entre a minha pelve e o bebe e eu ficava cada vez mais assustada! Para ela a minha púbis tinha uma deficiência e não iria dar de si, e por isso devíamos de esperar! Era já de noite! Eu resignei-me, deitei-me e esperei... esperei até ao dia seguinte, já frustrada e desesperada, com muito medo de não ser capaz de pôr o meu filho no mundo! Foram horas (precisamente 20horas, disse-me a Ana no final) de desespero e dúvida, mas sem nunca colocar a hipótese de ir para o hospital... a esta altura a bolsa de aguas ainda estava intacta e o Elias como um grande guerreio muito bem de saúde!
Foi quando senti o sol mais alto que renovadas forças despontaram dentro de mim! Alguém abriu o estore e eu de repente cansei-me de esperar! Percebi que o meu corpo tinha bloqueado e que ou eu provocava contracções mais fortes ou não íamos sair dali tão cedo!! Foi ai que pela primeira vez vislumbrei a hipótese de ir para o hospital! Decidi que não iria!!
Lembrei-me do que é ser mulher, lembrei-me das forças instintivas que se tinham apoderado de mim durante a dilatação, lembrei-me da Mãe divina o espírito deste nosso planeta que nos alimenta a todos e guarda os segredos do nascimento e da morte!
Pedi um sumo de frutas, tranquei-me no quarto do Elias com o meu companheiro, beijamo-nos, acariciamo-nos e depois pedi-lhe que me deixasse só! Comecei então a falar com o meu corpo, a tocar os meus seios e o ventre, sempre a falar com Elias e a respirar profundamente!! E foi ai que finalmente senti as contracções a voltarem com força! Como já estava muito cansada nenhuma posição me permitia já fazer força por mim própria, experimentei quase todas!! Já estávamos no dia 5 e o sol já estava no seu auge!
Então lembrei-me da sanita e apartar dai, foram 3 contracções! O Elias nasceu comigo de pé agarrada ao lavatório (isto para ele não cair na sanita), só deu tempo de a Ana gritar pela D.Gloria e esta correr para o apanhar!!! A bolsa de aguas explodiu no ar e o que eu ouvi (porque estava tudo escuro) foi um grande "ploc", que nunca vou esquecer na vida! O meu filho chorava assustado, e esta todo branquinho lindo, lindo!!!! Eram 17 horas.
Eu nem vi como ficou o chão da casa de banho (porque não havia luz nenhuma), durante todo o parto não vi sangue nem líquidos....só algum coco que soltei durante algumas tentativas frustradas de fazer força sem vontade :)))!!!
O Hugo entrou logo a seguir na casa de banho onde ficamos por momentos os 3 agarrados a chorar!
Depois levaram-nos para a cama e ai o Elias veio para cima de mim, onde chorava e procurava o peito ao mesmo tempo (ainda hoje mama com a mesma vontade)!
Tive de ser cozida porque segundo a D. Gloria, ao expulsar o Elias ela teve de colocar a mão para o ajudar a rodar o ombro, eu nem entendo como ela fez isso , porque alem de estar completamente escuro a mim pareceram-me segundos! Não me lembro de quantos pontos foram...sei que ela retirou a placenta manualmente (coisa a reparar num próximo parto) e que de seguida quando as duas se foram ficamos os 3 juntinhos, sem visitas, sem ser incomodados!!!
Só no dia seguinte as avos vieram visitar-nos! E eu demorei uns 15 dias ainda a sair para a rua!
Eu e o Elias ficamos literalmente 15 dias de cama... hoje quando olho para trás dou muitas graças por essa oportunidade, porque era maravilhoso dar-lhe de mamar, dormir e contempla-lo! Claro que o meu companheiro foi incrível nestes tempo, desdobrando-se para que tudo estivesse perfeito para os seus dois amores!
Estou muito grata, muito mesmo aos três, Hugo, Ana e D. Glória e muito orgulhoso de mim e principalmente do meu anjinho Elias!
Ana Alpande
07 Fevereiro de 2007 - Porto Salvo, Oeiras - Portugal
