Humpar

 
O Nascimento do André
8 de Novembro de 2005


No passado dia 8 nasceu o meu filhote mais novo, o André :) . Não tenho palavras para descrever a felicidade em que me encontro, ou melhor, em que nos encontramos, pois cá em casa reina um ambiente mágico :). O André é um doce e o Vasco está a adaptar-se muito bem à nova situação. A amamentação está a correr muito bem (o André é um verdadeiro bebé- ventosa :).

Estou feliz!!

Cá vai então o testamanto com a descrição do parto do meu caçulinha:

Há mais de uma semana que andava a pressentir a chegada do André. Umas leves moinhas aqui e ali, uma ou outra má disposição indicavam que ele vinha a caminho. Na segunda feira (dia 7) acordei "partidinha" pois tinha tido cólicas durante a noite e tinha dormido mal. Esse dia foi passado dentro da normalidade, com umas ligeiras contracções (coisa a que eu estava mais do que habituada).

Às seis e vinte da manhã do dia 8 acordei com a mesma cólica do dia anterior. Fui à casa de banho... e nada. Passado uns dois minutos, a cólica repete-se, desta vez mais intensa. Dois minutos mais tarde, outra e outra e outra e outra... pois, eram as contracções, seguidinhas e bastante desconfortáveis. Acordei o Rui que se prontificou a ligar para a Tia-Avó N. para esta ficar cá em casa a cuidar do Vasco. Entretanto as contracções continuavam, desta vez com espaçamento de 1 minuto. Eu ía respirando profundamente e procurando organizar as coisas no (curtíssimo) intervalo (porque é que há sempre coisas que ficam por fazer? :p)


Entretanto senti que me tinha rebentado a bolsa de águas. Às tantas, e no meio de toda a situação, o Vasco senta-se na cama, a dormir, e pede-nos para ir para o nosso colo pois quer ouvir uma música :). Foi um momento muito bonito, o qual recoradaremos com carinho por muitos anos :). A cada contracção eu sentia (literalmente) o André descer mais um pouco e por volta das sete menos vinte começo a sentir uma vontade fortíssima de puxar. Só estava bem de cócoras e comecei a pensar que o André iría nascer em casa...

Fui ter com o Rui, que tomava um banho de água fria para acordar e "sintonizar-se" com o que se estava a passar e, apesar de ele estar completamente ensaboado, estendi-lhe a toalha e "ordenei": - LIMPA-TE!!!

Estava eu a fazer uma respiração para contrariar a vontade de puxar (e foi essa respiração eu me acompanhou até ao momento da expulsão) quando a Tia N. chegou (Aleluia!!!).
Voamos para o Hospital (que fica em frente a nossa casa) e mal chegamos demos de caras com o segurança:
- Estou em trabalho de parto e o bebé está mesmo a querer sair - digo eu.
- Pois... mas vai ter que preencher a ficha...
Arregalei-lhe os olhos e ele deixou-me entrar enquanto o coitado do Rui ficava a tratar da burocracia.
Próximo passo: o enfermeiro da admissão. Disse-lhe a mesma coisa e ele pergunta:
- Consegue ir a pé?
Três andares e centenas de metros em corredores?? Este tipo é doido! - só pensava eu.
Mais um arregalar de olhos e senta-me na cadeira, a qual começa a empurrar com alguma calma.
- Esta coisa não tem turbo? - pergunto eu, entre arfares e um ataque de riso que não sei de onde me surgiu.
Bem, ele começa a correr pelos corredores fora com uma velocidade tal que eu estava a ver quando é que saltava da cadeira :) Entrámos nas urgências de obstetrícia e fomos recebidos por uma médica ensonada.
- Dra, estou em periodo expulsivo, acho que a cabeça do bebé já está a espreitar...
- E só vem agora??
(sem comentários...)

Entramos directamente para uma box onde eu só tive tempo de tirar as calças, deitar-me na cama e... começar a puxar pois o André não queria esperar mais. O Pai, ofegante, chegou mesmo a tempo de assistir (e participar) ao parto.

O André nasceu às sete da manhã, acompanhado com um choro vigoroso, o qual cessou apenas quando o colocaram a mamar, onde passou os 45 (!) minutos seguintes. Esta primeira (grande) mamada foi fundamental para que a placenta deslizasse pouco depois... inteirinha.

A equipa médica foi excepcional, soube respeitar os meus timmings (acho que também não tinham outro remédio :) e, tirando a episiotomia (pois, tinham que fazer qualquer "coisinha"...) e uma pequena laceração que cicatrizou linadamente posso dizer que o parto do André foi o que eu sempre quis, sem máquinas ligadas a mim a apitar constantemente e a impedir-me os movimentos, sem agulhas espetadas, sem depilação-forçada, sem micro-clisteres, sem drogas...

Foi maravilhoso :)

P.S. 1 - O maridão está a considerar tirar um curso de primeiros socorros em obstetrícia e a comprar um kit de partos, pois o nosso próximo filho irá nascer em casa com certeza :)


Bárbara Yu (nas nuvens :)


Matosinhos - Portugal
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