O Nascimento da Teresa
05 de Fevereiro de 2007
Dia 3 de Fevereiro, sábado, durante um workshop para Doulas em certificação, pude rever algumas pessoas que me dizem muito, com as quais fiquei a sentir uma ligação especial desde a primeira formação em Março do ano passado.
Duas dessas pessoas incentivaram-me a fazer um ritual de "despedida da barriga"... e foi o que fiz!!! Foi um dia muito intenso pelas energias e sensações libertadas.
Quando cheguei a casa, estava cheia de vontade de me concentrar no meu corpo, no meu processo de parto, na minha barriga, no meu bebé, no meu eu! Mas com tanta tecnologia à volta, já se sabe que é difícil. Ainda desliguei o telefone, mas depois acabei por ligá-lo e deixá-lo no modo do silêncio.
Despi-me no quarto, liguei o aquecedor na casa de banho, abri a água quente e preparei um banho. Acendi velas e liguei a música...
Há já alguns dias que andava a perder pequenas quantidades de líquido amniótico, mas ontem, quando me despi, pude constatar que este estava a ficar rosado! Fiquei radiante e receosa ao mesmo tempo. Afinal nem foi preciso terminar o ritual de despedida...
Avisei a minha Doula. Entrei na banheira e relaxei... e de repente uma contracção.... e outra.....e outra! Mais quando me mexia, pouco intensas, nada dolorosas e de curta duração. Quando me apeteceu...saí do banho e desci para a sala! E passado algum tempo, contei ao Bruno o que se estava a passar...
As contracções ficaram menos frequentes... e eu estava com algum sono. Daí que achei melhor deitar-me! Acordei algumas vezes com a ligeira "moínha" da contracção, mas fiquei sempre na cama, ao quentinho.
Às 6:00 horas acordei com uma contracção um pouco mais intensa. Resolvi descer. Aquecer uma caneca de chá de Naoli e preparar um ambiente tranquilo, relaxante e a meu gosto na sala. Tinha música (Joel Xavier), velas, incenso, a lareira acesa, a bola e o colchão.
Tentei controlar o tempo de intervalo entre as contracções, mas não percebia muito bem! Eram mais ou menos de dez em dez minutos mas de pouca duração...a intensidade, essa, ia aumentando!!!
Tentei concentrar-me mais uma vez em mim, no meu corpo...pois só assim iria funcionar!
Continuei na sala...com a música, e tudo o resto! A bola e o colchão não serviram para nada. lol...
As contracções passaram a ser de 5 em 5 minutos, mas curtas e pouco intensas! Pensei: "isto vai ser canja! As contracções desaparecem rapidamente...será que é já mesmo o trabalho de parto?"
Entretanto, cerca das 9h o Bruno acordou e desceu. Encontrou-me na sala, só em roupão, com todo aquele aparato! Tínhamos umas coisas combinadas para aquela manhã. Eu disse-lhe que cancela-se tudo, que o nosso bebé ia nascer! Ele aproveitou logo para tirar a primeira foto. Mas não me senti muito à vontade com isso...
Mandei uma mensagem à minha doulinha Luisa Condeço, a explicar como me sentia, ao que ela respondeu, que poderia não ser para já! A última grávida dela havia andado com contracções uma semana... Fiquei um pouco triste. Eu queria que fosse naquele dia.
Falei com a Carla, por telefone, e disse-lhe como estava. Ela recomendou alguns exercícios de yoga. Disse que era importante não ficar parada naquele momento. Mas também não me apetecia fazer nada disso, só concentrar-me.
Resolvi ir para cima, encher a banheira com água bem quentinha e relaxar... para ver o que acontecia. Acendi também umas velas e liguei a música no quarto de forma a ouvir na casa de banho.
Foi muito bom. Estava um ambiente muito tranquilo e relaxante.
As contracções começaram a ficar mais intensas e eu mais feliz, porque ia ser naquele dia. O Bruno ia lá de vez em quando e ficava a olhar para mim, o Bosky (nosso cão) fazia o mesmo! Deitava-se ao lado da banheira simplesmente a olhar...
Fui comendo umas bolachinhas de água e sal com mel, era só o que me apetecia.
Mantive a Luisa informada, ao que ela me respondeu que assim que a quisesse junto a mim, era só dizer. Cerca das 16h pedi-lhe que viesse, só para olhar para mim um bocadinho. Ela demorou cerca de 15min. O tempo de vir de casa dela até à minha.
Quando chegou, eu estava na banheira. Ela perguntou-me como estava...disse-lhe que as contracções estavam um pouco mais intensas mas não estava a contabilizar o intervalo entre elas. O Bruno disse que eram mais ou menos de 3 em 3 minutos..mas irregulares. Ela lavou as mãos, despiu a blusa, estava muito calor na casa de banho...e meteu mãos à obra!!! Sempre que vinha uma contracção ela passava água quentinha nas minhas costas, sabia muito bem...também fazia massagens na zona dos rins...humm que bom que era. Lembrou-me para a avisar quando não estivesse confortável com algo que ela fizesse.
As contracções tornaram-se mais intensas e demoradas e de vez em quando lá saía mais um bocado de rolhão mucoso raiado de sangue. Pensei, está a começar a ser a sério! Quando a contracção desaparecia, era uma sensação de alívio muito agradável, que me fazia sorrir. Pela sensação agradável em si e por pensar que já vinha o meu bebé. Nestas alturas encostava a cabeça na borda da banheira para descansar. A Doula, apressou-se a colocar uma almofadinha feita com uma toalha fofinha, para eu estar mais confortável. Quando vinha uma nova contracção respirava fundo, lembrava-me da ligação da boca com o canal vaginal e tentava respirar sempre de boca aberta...ela passava e eu pensava...menos uma!
A Luisa encoraja-me dizendo: "isso, isso...muito bem!"
Na banheira, por ser pequena (convencional), não estava muito bem. Tinha uma perna dobrada a outra esticada para o lado, o que ao fim de algum tempo se tornava doloroso.
A certa altura saí da banheira. Enquanto lá estive, o Bruno preparou a nossa cama, com os lençóis lavadinhos, os resguardos plásticos e novos lençóis lavados por cima. Saí da banheira e fui para o quarto. As velas também foram...e a esta altura acho que já não havia música.
No quarto, sempre que vinha uma contracção, fazia movimentos de rotação das ancas e dobrava os joelhos abrindo as pernas, ao mesmo tempo que imaginava o meu corpo a abrir. Quando passava relaxava dobrada sobre a cama. A Luísa ia fazendo massagens nas costas. O Bruno só olhava.
Entretanto, eu tinha dito à Luísa que a Carla traria a D. Glória, e a Luísa encarregou-se de falar com elas. Primeiro com a D. Glória, explicou-lhe como eu estava, descreveu as contracções e disse-lhe que a Carla a iria buscar... Mais tarde falou com a Carla...
Não sei bem a que horas, voltei para a banheira. Acho que já estava na Partolândia...
As contracções eram já bastante intensas, algumas delas bem demoradas...acho que me deixei dormir no intervalo entre elas ou então era mesmo o estado de anestesia total ;)
Lembro-me de pensar como seria insuportável estar no Hospital, sem banheira, sem poder andar de uma lado para o outro a dançar, sem massagens, sem música, sem velas, e com tantas outras coisas...
Já não conseguia estar na banheira! No final de cada contracção juntava-se agora uma nova sensação! Uma leve vontada de fazer força. Saí então da banheira e sentei-me na sanita. Fiz cocó várias e várias vezes. Sempre que vinha uma nova contracção levantava-me, segurava-me na banheira e dobrava os joelhos mas logo a seguir aquela vontade de fazer força, fazia-me sentar novamente na sanita.
Nesta altura fiquei um pouco confusa. Não sabia se já seria altura de fazer força, não sabia quantos centímetros de dilatação tinha. Tentei ver mas como nunca o tinha feito, não tinha ponto de referência. Conseguia abrir os dedos aos dez cm e sentir um rebordo mas não tinha a certeza se seria isso a dilatação completa. Hoje sei que era! ;) Nesta altura desejei ter a D. Glória para o verificar, mas ela ainda não tinha chegado! Mas também, de qualquer forma, nunca me esqueci do meu corpo e sempre fiz o que ele me pediu...isso acalmava-me! Se estava com vontade de fazer força era porque era para ir fazendo...
A Luísa voltou a ligar à Carla e disse-lhe que viesse com a D. Glória.
Nesta fase as massagens eram desconfortantes e só me sentia bem sozinha... Por isso a Luísa esteve sempre sentada no chão (tinha uma almofada), à porta da casa de banho, simplesmente a observar-me por entre os dedos. O Bruno também... de vez em quando falavam os dois e eu mandava-os calar! As suas vozes, mesmo que em volume baixo, incomodavam-me bastante. Irritavam-me, desconcentravam-me.
Com o tempo, a vontade de fazer força foi aumentando! ...e numa das contracções, puff...saíu um pequeno jacto de líquido amniótico transparente.
Mais tarde, o Bruno convidou a Luísa para ir comer qualquer coisa e ela disse-lhe que já iam...ela sabia que já não faltava muito tempo para o bebé nascer.
...e entre a banheira e a sanita lá andava eu...
Até que me sentei na sanita e com os meus dedos pude sentir a cabeça do meu bebé a descer ao mesmo tempo que fazia força... Fico feliz por terem sido os meus dedos os únicos a sentir a cabecinha do meu bebé!
Mais um par de contracções e a cabeça saiu! A Luísa apercebeu-se levantou-se rapidamente e disse:"não deixes a tua filha nascer na sanita!" e eu pensei, filha??? mas ainda só saiu a cabeça! O Bruno veio logo também e prepararam-se para a parte deles!
Jamais vou esquecer o toque naquela cabecinha, aquele cabelo húmido e aquele narizinho na parte de traz...
Disse-lhes que esperassem...e fiquei ali a curtir aquele momento e à espera que aquele bebé resolvesse então sair!
Senti umas cócegas na parte de baixo da barriga, cá dentro. Era o bebé a dar a volta! Aí, quando senti que vinha outra contracção o Bruno levantou-me e a Luísa apanhou o bebé, enrolou-o nas toalhas e deu-mo logo para os braços.
Chorou logo, de olhos e braços bem abertos...
Só depois fui verificar se a Luísa sempre tinha acertado! Abri as toalhas e lá estava, a minha Teresinha! Muito morena de olhos bem redondinhos e escuros a olhar para mim :)
Assim que a vi de mãos na boca coloquei-a logo à mama! E cerca de 15 a 20 minutos depois da Teresa, ainda na casa de banho, sentada na sanita, com a Teresa ao colo, saiu a placenta!
Nessa altura, com a placenta enrolada em resguardos, fomos todos para o quarto! O Bruno foi buscar a tesoura escolhida por nós, fervida há já alguns dias e muito bem guardada. Aí, então, clampeamos o cordão e o papá corto-o!
Fomos as duas para a caminha e mais uma vez a Teresa mamou...
Nessa altura chegam a Carla e a D. Glória!!! Mesmo a tempo!!! (nesta foto, elas duas e a Luisa parecem as 3 Rainhas magas a visitar a Princezinha! :)
A D. Glória certificou-se que tudo estava bem... viu a placenta, fez expressão uterina, observou a bebé, o perineo (deu uns pontinhos :p)...
E pronto!!! temos muitas fotos desta parte! A Placenta foi enterrada no quintal e também temos fotos :)
A Teresa pesou 3300gr e mediu 50cm. É muito morena e peluda!
Pedimos ao papá para ir buscar a roupinha que a mamã já tinha preparado para ser a primeira...ele demorou um bocado, apesar de saber muito bem onde estava a roupa. O que terá estado a fazer???
Depois da Teresa estar vestidinha (pela mamã) e de eu ter tomado um duche, veio uma canjinha maravilhosa que a minha mamã havia feito para o meu almoço do dia seguinte!
Seguiram-se mais algumas fotos, as despedidas das "3 rainhas magas" e as mensagens e telefonemas a anunciar a nossa Teresa!
Ninguém, para além dos intervenientes e de duas colegas minhas, sabia que planeávamos um parto em casa! Foi uma experiência inesquecível e muito enriquecedora. Num ambiente hospitalar tudo teria sido diferente...
Quero aqui agradecer a todos os que de alguma forma tornaram possível a realização deste sonho que foi o Nascimento da Teresinha!
Um Obrigada muito especial à Doula e amiga Luísa Condeço, à Doula e amiga Carla Silveira, à parteira D. Glória e claro ao papá babado Bruno ;)
Uma amiga minha me ofereceu esta prendinha. Um lindo vídeo do nascimento da nossa Teresinha.
Cláudia Silva
Évora - Portugal
05 de Fevereiro de 2007
Dia 3 de Fevereiro, sábado, durante um workshop para Doulas em certificação, pude rever algumas pessoas que me dizem muito, com as quais fiquei a sentir uma ligação especial desde a primeira formação em Março do ano passado.
Duas dessas pessoas incentivaram-me a fazer um ritual de "despedida da barriga"... e foi o que fiz!!! Foi um dia muito intenso pelas energias e sensações libertadas.
Quando cheguei a casa, estava cheia de vontade de me concentrar no meu corpo, no meu processo de parto, na minha barriga, no meu bebé, no meu eu! Mas com tanta tecnologia à volta, já se sabe que é difícil. Ainda desliguei o telefone, mas depois acabei por ligá-lo e deixá-lo no modo do silêncio.
Despi-me no quarto, liguei o aquecedor na casa de banho, abri a água quente e preparei um banho. Acendi velas e liguei a música...
Há já alguns dias que andava a perder pequenas quantidades de líquido amniótico, mas ontem, quando me despi, pude constatar que este estava a ficar rosado! Fiquei radiante e receosa ao mesmo tempo. Afinal nem foi preciso terminar o ritual de despedida...
Avisei a minha Doula. Entrei na banheira e relaxei... e de repente uma contracção.... e outra.....e outra! Mais quando me mexia, pouco intensas, nada dolorosas e de curta duração. Quando me apeteceu...saí do banho e desci para a sala! E passado algum tempo, contei ao Bruno o que se estava a passar...
As contracções ficaram menos frequentes... e eu estava com algum sono. Daí que achei melhor deitar-me! Acordei algumas vezes com a ligeira "moínha" da contracção, mas fiquei sempre na cama, ao quentinho.
Às 6:00 horas acordei com uma contracção um pouco mais intensa. Resolvi descer. Aquecer uma caneca de chá de Naoli e preparar um ambiente tranquilo, relaxante e a meu gosto na sala. Tinha música (Joel Xavier), velas, incenso, a lareira acesa, a bola e o colchão.
Tentei controlar o tempo de intervalo entre as contracções, mas não percebia muito bem! Eram mais ou menos de dez em dez minutos mas de pouca duração...a intensidade, essa, ia aumentando!!!
Tentei concentrar-me mais uma vez em mim, no meu corpo...pois só assim iria funcionar!
Continuei na sala...com a música, e tudo o resto! A bola e o colchão não serviram para nada. lol...
As contracções passaram a ser de 5 em 5 minutos, mas curtas e pouco intensas! Pensei: "isto vai ser canja! As contracções desaparecem rapidamente...será que é já mesmo o trabalho de parto?"
Entretanto, cerca das 9h o Bruno acordou e desceu. Encontrou-me na sala, só em roupão, com todo aquele aparato! Tínhamos umas coisas combinadas para aquela manhã. Eu disse-lhe que cancela-se tudo, que o nosso bebé ia nascer! Ele aproveitou logo para tirar a primeira foto. Mas não me senti muito à vontade com isso...
Mandei uma mensagem à minha doulinha Luisa Condeço, a explicar como me sentia, ao que ela respondeu, que poderia não ser para já! A última grávida dela havia andado com contracções uma semana... Fiquei um pouco triste. Eu queria que fosse naquele dia.
Falei com a Carla, por telefone, e disse-lhe como estava. Ela recomendou alguns exercícios de yoga. Disse que era importante não ficar parada naquele momento. Mas também não me apetecia fazer nada disso, só concentrar-me.
Resolvi ir para cima, encher a banheira com água bem quentinha e relaxar... para ver o que acontecia. Acendi também umas velas e liguei a música no quarto de forma a ouvir na casa de banho.
Foi muito bom. Estava um ambiente muito tranquilo e relaxante.
As contracções começaram a ficar mais intensas e eu mais feliz, porque ia ser naquele dia. O Bruno ia lá de vez em quando e ficava a olhar para mim, o Bosky (nosso cão) fazia o mesmo! Deitava-se ao lado da banheira simplesmente a olhar...
Fui comendo umas bolachinhas de água e sal com mel, era só o que me apetecia.
Mantive a Luisa informada, ao que ela me respondeu que assim que a quisesse junto a mim, era só dizer. Cerca das 16h pedi-lhe que viesse, só para olhar para mim um bocadinho. Ela demorou cerca de 15min. O tempo de vir de casa dela até à minha.
Quando chegou, eu estava na banheira. Ela perguntou-me como estava...disse-lhe que as contracções estavam um pouco mais intensas mas não estava a contabilizar o intervalo entre elas. O Bruno disse que eram mais ou menos de 3 em 3 minutos..mas irregulares. Ela lavou as mãos, despiu a blusa, estava muito calor na casa de banho...e meteu mãos à obra!!! Sempre que vinha uma contracção ela passava água quentinha nas minhas costas, sabia muito bem...também fazia massagens na zona dos rins...humm que bom que era. Lembrou-me para a avisar quando não estivesse confortável com algo que ela fizesse.
As contracções tornaram-se mais intensas e demoradas e de vez em quando lá saía mais um bocado de rolhão mucoso raiado de sangue. Pensei, está a começar a ser a sério! Quando a contracção desaparecia, era uma sensação de alívio muito agradável, que me fazia sorrir. Pela sensação agradável em si e por pensar que já vinha o meu bebé. Nestas alturas encostava a cabeça na borda da banheira para descansar. A Doula, apressou-se a colocar uma almofadinha feita com uma toalha fofinha, para eu estar mais confortável. Quando vinha uma nova contracção respirava fundo, lembrava-me da ligação da boca com o canal vaginal e tentava respirar sempre de boca aberta...ela passava e eu pensava...menos uma!
A Luisa encoraja-me dizendo: "isso, isso...muito bem!"
Na banheira, por ser pequena (convencional), não estava muito bem. Tinha uma perna dobrada a outra esticada para o lado, o que ao fim de algum tempo se tornava doloroso.
A certa altura saí da banheira. Enquanto lá estive, o Bruno preparou a nossa cama, com os lençóis lavadinhos, os resguardos plásticos e novos lençóis lavados por cima. Saí da banheira e fui para o quarto. As velas também foram...e a esta altura acho que já não havia música.
No quarto, sempre que vinha uma contracção, fazia movimentos de rotação das ancas e dobrava os joelhos abrindo as pernas, ao mesmo tempo que imaginava o meu corpo a abrir. Quando passava relaxava dobrada sobre a cama. A Luísa ia fazendo massagens nas costas. O Bruno só olhava.
Entretanto, eu tinha dito à Luísa que a Carla traria a D. Glória, e a Luísa encarregou-se de falar com elas. Primeiro com a D. Glória, explicou-lhe como eu estava, descreveu as contracções e disse-lhe que a Carla a iria buscar... Mais tarde falou com a Carla...
Não sei bem a que horas, voltei para a banheira. Acho que já estava na Partolândia...
As contracções eram já bastante intensas, algumas delas bem demoradas...acho que me deixei dormir no intervalo entre elas ou então era mesmo o estado de anestesia total ;)
Lembro-me de pensar como seria insuportável estar no Hospital, sem banheira, sem poder andar de uma lado para o outro a dançar, sem massagens, sem música, sem velas, e com tantas outras coisas...
Já não conseguia estar na banheira! No final de cada contracção juntava-se agora uma nova sensação! Uma leve vontada de fazer força. Saí então da banheira e sentei-me na sanita. Fiz cocó várias e várias vezes. Sempre que vinha uma nova contracção levantava-me, segurava-me na banheira e dobrava os joelhos mas logo a seguir aquela vontade de fazer força, fazia-me sentar novamente na sanita.
Nesta altura fiquei um pouco confusa. Não sabia se já seria altura de fazer força, não sabia quantos centímetros de dilatação tinha. Tentei ver mas como nunca o tinha feito, não tinha ponto de referência. Conseguia abrir os dedos aos dez cm e sentir um rebordo mas não tinha a certeza se seria isso a dilatação completa. Hoje sei que era! ;) Nesta altura desejei ter a D. Glória para o verificar, mas ela ainda não tinha chegado! Mas também, de qualquer forma, nunca me esqueci do meu corpo e sempre fiz o que ele me pediu...isso acalmava-me! Se estava com vontade de fazer força era porque era para ir fazendo...
A Luísa voltou a ligar à Carla e disse-lhe que viesse com a D. Glória.
Nesta fase as massagens eram desconfortantes e só me sentia bem sozinha... Por isso a Luísa esteve sempre sentada no chão (tinha uma almofada), à porta da casa de banho, simplesmente a observar-me por entre os dedos. O Bruno também... de vez em quando falavam os dois e eu mandava-os calar! As suas vozes, mesmo que em volume baixo, incomodavam-me bastante. Irritavam-me, desconcentravam-me.
Com o tempo, a vontade de fazer força foi aumentando! ...e numa das contracções, puff...saíu um pequeno jacto de líquido amniótico transparente.
Mais tarde, o Bruno convidou a Luísa para ir comer qualquer coisa e ela disse-lhe que já iam...ela sabia que já não faltava muito tempo para o bebé nascer.
...e entre a banheira e a sanita lá andava eu...
Até que me sentei na sanita e com os meus dedos pude sentir a cabeça do meu bebé a descer ao mesmo tempo que fazia força... Fico feliz por terem sido os meus dedos os únicos a sentir a cabecinha do meu bebé!
Mais um par de contracções e a cabeça saiu! A Luísa apercebeu-se levantou-se rapidamente e disse:"não deixes a tua filha nascer na sanita!" e eu pensei, filha??? mas ainda só saiu a cabeça! O Bruno veio logo também e prepararam-se para a parte deles!
Jamais vou esquecer o toque naquela cabecinha, aquele cabelo húmido e aquele narizinho na parte de traz...
Disse-lhes que esperassem...e fiquei ali a curtir aquele momento e à espera que aquele bebé resolvesse então sair!
Senti umas cócegas na parte de baixo da barriga, cá dentro. Era o bebé a dar a volta! Aí, quando senti que vinha outra contracção o Bruno levantou-me e a Luísa apanhou o bebé, enrolou-o nas toalhas e deu-mo logo para os braços.
Chorou logo, de olhos e braços bem abertos...
Só depois fui verificar se a Luísa sempre tinha acertado! Abri as toalhas e lá estava, a minha Teresinha! Muito morena de olhos bem redondinhos e escuros a olhar para mim :)
Assim que a vi de mãos na boca coloquei-a logo à mama! E cerca de 15 a 20 minutos depois da Teresa, ainda na casa de banho, sentada na sanita, com a Teresa ao colo, saiu a placenta!
Nessa altura, com a placenta enrolada em resguardos, fomos todos para o quarto! O Bruno foi buscar a tesoura escolhida por nós, fervida há já alguns dias e muito bem guardada. Aí, então, clampeamos o cordão e o papá corto-o!
Fomos as duas para a caminha e mais uma vez a Teresa mamou...
Nessa altura chegam a Carla e a D. Glória!!! Mesmo a tempo!!! (nesta foto, elas duas e a Luisa parecem as 3 Rainhas magas a visitar a Princezinha! :)
A D. Glória certificou-se que tudo estava bem... viu a placenta, fez expressão uterina, observou a bebé, o perineo (deu uns pontinhos :p)...
E pronto!!! temos muitas fotos desta parte! A Placenta foi enterrada no quintal e também temos fotos :)
A Teresa pesou 3300gr e mediu 50cm. É muito morena e peluda!
Pedimos ao papá para ir buscar a roupinha que a mamã já tinha preparado para ser a primeira...ele demorou um bocado, apesar de saber muito bem onde estava a roupa. O que terá estado a fazer???
Depois da Teresa estar vestidinha (pela mamã) e de eu ter tomado um duche, veio uma canjinha maravilhosa que a minha mamã havia feito para o meu almoço do dia seguinte!
Seguiram-se mais algumas fotos, as despedidas das "3 rainhas magas" e as mensagens e telefonemas a anunciar a nossa Teresa!
Ninguém, para além dos intervenientes e de duas colegas minhas, sabia que planeávamos um parto em casa! Foi uma experiência inesquecível e muito enriquecedora. Num ambiente hospitalar tudo teria sido diferente...
Quero aqui agradecer a todos os que de alguma forma tornaram possível a realização deste sonho que foi o Nascimento da Teresinha!
Um Obrigada muito especial à Doula e amiga Luísa Condeço, à Doula e amiga Carla Silveira, à parteira D. Glória e claro ao papá babado Bruno ;)
Uma amiga minha me ofereceu esta prendinha. Um lindo vídeo do nascimento da nossa Teresinha.
Cláudia Silva
Évora - Portugal