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Evidências Científicas
Muitas das decisões que
tomamos na nossa vida têm por base e como fundamento informações que
recebemos de alguém, profissional da área em questão ou não. Partimos do
princípio que essas informações são verdadeiras e fidedignas sem sequer
nos questionarmos relativamente à sua origem e veracidade,
principalmente quando proferidas por profissionais de saúde.
Esquecemo-nos assim, de
como é fácil caír na tentação de pensar que aquilo que
aprendemos até hoje é suficiente para estarmos bem informados
de forma a
tomarmos “boas decisões”, estagnando o nosso conhecimento por falta de
procura de uma actualização constante.
Este fenómeno pode
verificar-se em qualquer indivíduo ou profissional de qualquer área, mas
que pode ter repercussões muito graves quando falamos de profissionais
de saúde.
O melhor meio que estes
técnicos têm para actualizar a informação e os seus conhecimentos é
procurar estudos científicos baseados nas práticas actuais que, regidos
por técnicas de investigação e regras de pesquisa rigorosas, permitam
retirar conclusões isentas e fidedignas. Quando essas conclusões
permitem tomadas de decisão para os cuidados de saúde de um ser humano,
tendo em conta os resultados relativamente à eficiência de determinado
tratamento ou intervenção, estamos perante uma prática de Medicina
baseada em Evidências Científicas, comprovadamente mais eficaz do que
uma Medicina baseada em crenças, rotinas e mitos,
infelizmente tão comum.
Para garantir a isenção
e fidedignidade dos resultados, as investigações levadas a cabo têm que
cumprir algumas regras:
-
Número elevado de
participantes;
-
Existência de grupo
experimental e grupo de controle;
-
Anonimato da
amostra;
-
Controle de
variáveis estranhas
É necessário ter em
atenção que existem inúmeros estudos publicados na internet e em
revistas que, embora não seja do conhecimento do público em geral, não
cumprem minimamente os requisitos estabelecidos, conduzindo à divulgação
de “má informação”. Com o intuito de certificar a veiculação de “boa
informação”, alguns organismos internacionais promovem a criação da
metanálise, um procedimento que permite reunir investigações levadas a
cabo em diferentes partes do mundo sobre um determinado assunto, fazer
uma selecção de acordo com os requisitos estabelecidos e realizar uma
análise estatística conjunta, por forma a criar um único estudo e
retirar conclusões fiáveis e credíveis.
Felizmente, no que diz
respeito à gravidez e ao parto, existem hoje milhares de pesquisas e
estudos fidedignos relativos à segurança e eficiência de determinadas
práticas, cujos resultados, quando partilhados e discutidos entre o
médico e a sua paciente, poderão ajudar na tomada de decisão quando se
procura um bom atendimento que tenha em conta as necessidades
específicas de cada grávida e da sua família.
A Organização Mundial de
Saúde criou uma base de dados de estudos (metanálises) de diversas áreas
da medicina, com o intuito de divulgar a informação junto dos
consumidores, leigos ou profissionais – a
Biblioteca da Cochrane (em inglês) onde se pode encontrar informação
relativamente à gravidez, parto e pós parto.
Existe uma compilação de
grande parte desses estudos disponível para download através da internet
a partir do endereço
http://www.maternitywise.org/guide/ (versão em inglês). Nesta compilação podem
encontrar-se temas tão variados tais como (entre muitos outros):
-
Suporte para a
mulher grávida
-
Ecografias na
gravidez
-
Hipertensão na
gravidez
-
Práticas
hospitalares
-
Bebés prematuros
-
VBAC (parto vaginal
após cesariana)
-
Cesariana
-
Aborto espontâneo
-
Gravidez pós-termo
(A
HumPar
está neste momento a trabalhar no sentido de publicar em breve uma
tradução para português dos resumos dos principais estudos publicados
nesta compilação.)
As decisões que uma
mulher toma durante o período de gravidez relativamente a exames,
protocolos, intervenções e tratamentos terão repercussões importantes,
tanto para a mãe como para o bebé. No entanto, essas decisões são
frequentemente depositadas nas mãos de terceiros sem, muitas vezes, a
mãe ser informada relativamente a opções e alternativas existentes,
alheando-se assim a decisão do contexto e características únicas daquela
mulher e da sua família.
Procurar evidências
científicas é apoderar-se de bases importantes que permitem à mulher, em
relação de parceria com o seu médico, decidir de forma consciente e
informada qual o caminho que quer seguir, possibilitando-lhe uma
vivência tranquila e devolvendo-lhe a segurança para acreditar em si
própria e na sua capacidade de parir e criar o seu bebé.
“Esse é o primeiro passo
para tomarmos posse de nossos corpos, reivindicarmos o que nos é por
direito e responsabilizarmo-nos por nossas escolhas, erros e acertos.”
(Ana Cristina Duarte –
Amigas do Parto, Brasil)
Margarida Piló -
HumPar |