Humpar

 
Congresso debate alternativas para partos de baixo risco
3 a 5 de Novembro de 2006



"São as mulheres com maior escolarização e maior informação que debatem estas questões, porque já perceberam que estão a perder outras coisas", pormenorizou a responsável da OE, admitindo que "não se pode negar que hoje há acesso a um conhecimento técnico e científico que permite oferecer outras alternativas ao parto e em segurança".

A maioria destas opções está direccionada para o parto natural - nos casos em que não existem problemas médicos associados - e centra-se na noção de um parto com menos intervenção tecnológica, mais humanizado, por oposição ao parto praticado em ambiente hospitalar.

Espanha, por exemplo, já passou à prática destas alternativas, em clínicas privadas, criando também espaços denominados "casas de parto", que são residências de pequena dimensão assistidas por profissionais de saúde e com acesso facilitado ao hospital mais próximo.

Para Lúcia Leite, as "alternativas devem existir" mas o essencial é "as mulheres terem toda a informação para poderem decidir como querem ter o seu parto".

Também a presidente da Associação Portuguesa de Enfermeiras Obstetras ( APEO), Dolores Sardo, realçou à Agência Lusa que a falta de informação da mulher é a principal batalha a vencer, acrescentando que "as mulheres optam pela cesariana por que não estão informadas". "Tem-se passado a mensagem de que a cesariana envolve menos riscos e por isso muitas mulheres a pedem", lamentou.

Ambas as especialistas rejeitam que um parto natural possa ser sinónimo de parto naturista - "porque tem que se oferecer segurança técnica à mulher e à criança" -, e consideram que uma opção possível em Portugal seria a criação de espaços diferentes dos actuais blocos de parto.

"As unidades de apoio perinatal poderiam possuir unidades, paralelas aos actuais blocos de parto, com um ambiente acolhedor e que permitissem maior liberdade à mulher grávida de baixo risco", sintetizou a responsável Lúcia Leite. Apesar dos constrangimentos de espaço de que sofrem nas maternidades portuguesas, a responsável acredita que "em alguns já seria possível criar este tipo de ambientes".


O exemplo da Holanda

Desde o início da gravidez que a maioria das mulheres holandesas é seguida por uma parteira, responsável por toda a vigilância e exames, e que as acompanha, igualmente, no parto, seja este em casa ou num hospital. Na Holanda, a parteira é uma profissional com formação específica e autonomia técnica, legalmente capacitada para receitar medicamentos, e uma figura-chave nos serviços públicos de saúde, explicou à Agência Lusa Greta Rijninks, da Real Associação Holandesa de Parteiras. O modelo de nascimento holandês e a possibilidade de a mulher, no caso de uma gravidez de baixo risco, poder escolher o tipo de parto que pretende foram referidos várias vezes como um exemplo de humanização do nascimento durante o primeiro congresso sobre a matéria, que termina hoje, em Almada. Na Holanda, um país com cerca de 16 milhões de habitantes e que registou 188 mil nascimentos em 2005, existem cerca de 1950 parteiras.

 

Fonte: Jornal de Notícias
          
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